segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Pesadelo Adolescente

Ohi! Hoje vou apresentar a vocês, caros leitores, a primeira história que escrevi. É uma Oneshot (capitulo único) que trata de romance e drama adolescente. Não sei se é boa, pois quando escrevi ainda não tinha muita habilidade, mas de qualquer forma, espero que gostem. Por favor, não esqueça de deixar um comentário, seja ele bom ou ruim, sua opinião é muito importante para mim.
XOXO
Carson C. Sholfer

Pesadelo Adolescente 

Era tarde, umas 3 horas mais ou menos. Acordei abruptamente com o toque estrondoso no meu celular, era uma música alta e agitada, então levei uns dois segundos para sair do terrível pesadelo* que sempre me atormentava e voltar para o mundo real.
Não me dei ao trabalho de ver quem estava me ligando àquela hora quando atendi.
-Alô!? Quem morreu- resmunguei, sentindo raiva e pânico do maldito pesadelo que ainda estava fresco na minha memória.
-Henri...
Reconheci quase que automaticamente, não pela voz que estava rouca e distorcida, mas pelo apelido que apenas uma única pessoa no mundo me chamava.
-Monique?! Por que você tá me ligando à essa hora? Tá tudo bem?
(Henrique e Monique namoravam há oito meses, brigavam muito, mas não conseguiam passar dois dias separados)
-Não...
Percebi que ela estava chorando, chorando muito.
-O que aconteceu?
-Eu não aguento mais...- ela respondeu - Não aguento...
A ligação estava muito ruim.
-Espera. Fala devagar... Respira! - disse, numa tentativa inútil de acalma-la - Eu não tô entendendo o que você ta falando.
Enquanto tentava traduzir os grunhidos e palavras embaralhadas que ela dizia em meio a soluços, ouvi do outro lado da linha o som quase ensurdecedor de um velho trem chegando a estação (reconheceria aquele barulho em qualquer lugar, pois ouvia todos os dias quando ia para a escola).
-Monique! Respira fundo e me fala onde que você tá - interrompi, vestindo as calças apertadas de mais e calçando um tênis ao mesmo tempo.
-Eu... Eu tô na estação... Aqui no centro... - ela disse, com aparente dificuldade.
-Tudo bem. Eu chego em 10 minutos. Não sai daí!
Tentando fazer o mínimo de barulho possível, para não acordar minha irmãzinha, fui até o quarto dos meus pais, acordei delicadamente a minha mãe (mesmo assim ela se assustou) e disse que estava saindo com a moto.
-Mas Henrique são 3 da manhã. Onde é que você vai?
-Aconteceu alguma coisa com a Monique e eu vou buscar ela no centro. Já volto.
-Tchau. Toma cuidado viu! - ela disse, praticamente gritando, mesmo a casa estando no mais absoluto silêncio.
Descendo as escadas, coloquei o capacete com certa dificuldade. Peguei as chaves que ficavam numa estante próximo à porta, subi na moto e deixei para trás a calmaria e serenidade de casa para me encontrar, no meio da noite, com uma garota que estava tendo uma crise.
. . . 
Alguns minutos depois, eu me encontrava dando voltas pela enorme praça no centro da cidade que ficava próxima a estação de trem.
Estacionei a moto e sai correndo em direção à escadaria que dava acesso ao local de embarque nos trens, estava completamente deserta a não ser por uma pessoa, uma garota, que chorava num canto, encolhida com rosto entre os joelhos.
Naquele instante o meu corpo se encheu de uma tristeza terrível, parecia que alguém tinha me arrancado o coração, me senti impotente, incapaz de ajudar a única pessoa cujo bem estar era importante para mim.
Ela levantou a cabeça, como se sentisse a minha presença e veio correndo, chorando, na minha direção e me abraçou (esquecendo uma pequena mochila na escadaria).
-O que que aconteceu? - perguntei, tentando manter a calma.
- Foi ela... Ela fez de novo... Só que dessa vez eu não aguentei... - eu já sabia que ela estava se referido à mãe, pois isso já havia acontecido outras vezes... Só nunca tinha acontecido dela me ligar tão desesperada a tal hora da madrugada.
-Ah meu Deus! - eu disse, me abaixando para pegar a mochila, estranhamente pesada, do chão - O que você fez? - passei uma braço pelo seu ombro e comecei a levar Monique para uma banco próximo, tentando fazer com que ela não percebesse a minha raiva por estar cansado e com sono.
-Ela ficou gritando comigo e disse que eu era uma vadia , aí eu explodi e disse tudo o que vinha guardando. Depois eu peguei todo o dinheiro que eu tinha escondido, algumas roupas e saí daquela casa - neste momento, senti mais ódio do que tristeza em sua voz.
-E por que você não foi pra casa do seu pai?
-Eu sei que também não sou bem vinda lá...
Me senti muito mal por ela. Eu sabia, mas não queria admitir nem para mim mesmo que a única pessoa que ela podia confiar era eu, eu era tudo o que ela tinha naquele momento.
- Ah meu Amor, não se preocupa. Você pode ficar na minha casa - eu disse sem pensar, tentando consola-la.
Olhando nos meus olhos ela disse:
-Sério?
-Claro! Afinal você é minha namorada não é.
-Mas e a sua mãe? O que ela vai dizer? E a Laís? Eu sei que ela não gosta de mim - ela baixou os olhos, desanimando.
-A minha mãe te adora e não se importa de ter você lá. E a Laís é uma pirralha, ninguém liga pra o que ela fala - exibi o meu sorriso "Pode confiar em mim" como ela o chamava.
. . . 
Mesmo antes de chegar em casa eu já esperava encontrar minha mãe acordada, ela se preocupava de mais e esta vez não foi uma exceção.
Ao estacionar a moto, percebi que uma das luzes da casa estava acesa, entramos:
-Ah! Ainda bem que vocês chegaram. Já estava ficando preocupada - ela disse, me atacando com um beijo babado na testa e um beijo carinhoso no rosto de Monique.
Segurando sua mão (para que não se sentisse mais insegura com toda aquela situação) sentei no sofá.
-Mãe, precisamos conversar com você... - ela puxou a cadeira mais próxima e sentou-se - Aconteceram uns problemas na casa da Monique e ela fugiu de lá - senti a mão dela apertar a minha - Queria saber se ela pode ficar aqui em cas... - mal terminei de falar e fui interrompido.
-Mas é claro que pode - ela olhou para Monique que estava quase chorando - Querida, você já é da família e pode ficar quanto tempo quiser - disse, pousando a mão no joelho dela e sorrindo como se Monique fosse uma criança que acabara de se machucar.
-Obrigada - ela disse, sem conseguir conter a felicidade - Eu prometo que vou me comportar e ajudarei em que precisarem - deu uma risadinha e olhou para mim, agradecendo.
-Nem se preocupe com isso Mô, você será nossa hóspede.
Depois disso, sendo o cavalheiro que sou, cedi a minha cama para o Amor da minha vida e fui dormir no sofá (que não era tão desconfortável, apenas o local onde se encontrava que era bem escuro e sombrio).
Uns 40 minutos depois de todos terem ido dormir (e a casa ter voltado ao silêncio habitual) levantei do sofá, já desistindo da ideia de voltar à dormir, eu fui até o meu quarto, parei próximo a cama passei a contemplar o que, para mim, era a visão real de um anjo sonhando.
De repente, no escuro, ela abriu os seus olhos incrivelmente azuis, dando vida àquele quarto terrivelmente soturno e iluminando a minha alma. Ela abriu a boca e disse baixinho, como um segredo:
-Vem cá... - ela afastou o cobertor. Sem hesitar, obedeci.
Apoiei o meu rosto no travesseiro, há centímetros do dela, eu conseguia sentir o calor do seu corpo... E o seu olhar penetrante e avassalador, como se me julgasse por aquela situação que ela mesma havia gerado.
Nenhum de nós disse nem uma palavra por um longo tempo, ficamos ali deitados, na mesma cama, há centímetros um do outro, nos encarando numa conversa muda. Até que...
-Eu te amo! - as palavras pularam da minha boca, mais sinceras do que nunca. Antes mesmo que eu pudesse pensar no que disse senti os lábios quentes e úmidos dela nos meus.
O sabor daquele beijo já me era muito familiar, mas havia algo diferente, algo intenso (talvez fosse a "Paixão" de que todos falam). Parecia que nunca ia acabar e, por um instante, desejei com todas as minhas forças que aqueles segundos, que estavam sendo tão bem aproveitados, se estendessem para toda a eternidade.
Nunca a amei tanto quanto naquele momento...

Nota do autor:
*"o Pesadelo" é uma outra história que faz parte desta. Postarei em breve.



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